// Ovnis
O Raio de um Ovni
Isto aconteceu na madrugada de 30 de Julho de 1975, num local conhecido como “Fonte da Virgem”, em Alborache, perto de Valência, Espanha. A testemunha era Feliciano Vidal Chorent, com sessenta e nove anos à época, casado, lavrador reformado da Companhia Valenciana de Cimentos. Passava a maior parte dos dias a cuidar de uma horta perto de Buñol. Criado naquele meio rústico, com poucos estudos, era, por tudo o que se sabe, um homem fidedigno, pouco dado a inventar. O caso foi estudado em detalhe pelo físico Miguel Guasp.
A terça-feira, dia 29, tinha sido um dia normal. Por causa do calor insuportável, Feliciano deitou-se por volta da meia-noite e deixou a janela aberta. Mal tinha adormecido quando o zurrar do seu burro o acordou. O animal, atado a uma árvore a uns dez metros da janela, estava visivelmente excitado, de orelhas em pé. Depois o seu cão, debaixo de uma árvore à porta, começou a ladrar com força.
Pensando que alguém andava na sua propriedade, Feliciano pegou numa faca e saiu. Avançou até à árvore, onde o cão se calou assim que o reconheceu, e olhou em redor. Não estava lá ninguém. E então uma luz intensa engoliu todo o lugar. Vinha do alto de um monte ao lado da casa, atravessando os ramos como se as árvores estivessem prestes a arder. Iluminou a casa, mas não o resto do monte nem o que estava mais longe, o que indica que a sua fonte devia estar muito perto. Por um instante, cegou-o. Disse que foi como se vinte carros lhe apontassem os máximos de uma só vez. Logo a seguir, a luz, que estava a leste-nordeste, disparou para leste.
Subiu os degraus lavrados no monte, até ao sítio de onde a luz parecia ter vindo. Nada. Nem rasto de coisa alguma, tudo tão tranquilo como sempre. E voltou para a cama.
Duas semanas depois, numa noite limpa e estrelada, Feliciano olhou para a lua minguante e contou-lhe quatro pontas. Outras luzes nocturnas desfaziam-se da mesma maneira: as estrelas, e até lâmpadas eléctricas distantes. Uma estrela aparecia-lhe como um ponto central rodeado de pontos minúsculos. De dia, a vista estava boa. Nunca tinha tido problemas nos olhos antes daquela noite. Era como se a enorme luz que recebeu lhos tivesse danificado, deixando-lhe uma espécie de visão dupla que só surgia depois de escurecer.
Mas os olhos não foram o mais estranho. Feliciano sofria havia muito de uma dor aguda na anca esquerda, ao ponto de precisar de bengala para andar. Um médico de Buñol diagnosticara artrose, uma degeneração da cartilagem da articulação, uma doença irreversível. Durante dois meses depois do encontro, a dor foi tão forte que mal conseguia mexer-se. E depois, aos poucos, começou a esmorecer, até desaparecer por completo. A sua artrose, que os médicos diziam não ter retorno, regrediu. O seu estado de saúde melhorou notavelmente a partir daquela noite.
O extraordinário é o que aconteceu aos dois animais que estiveram com ele. Enquanto o homem melhorava, ambos adoeceram, da mesma forma estranha, e ambos morreram disso.
Primeiro o cão. Um animal jovem, de quatro anos, cheio de vida, bom caçador. Cerca de seis ou sete meses depois do avistamento, em Fevereiro ou Março de 1976, começou a perder a vitalidade e o apetite, afundando-se numa apatia total, mal comendo ou bebendo. Depois encheu-se de protuberâncias por todo o corpo, duras como gânglios, grandes como um ovo. Em Abril estava em tal estado que o dono o mandou abater.
O burro, de dezanove anos, começou pouco depois da morte do cão. Recusou beber como era hábito, depois deixou de querer comer, caiu na mesma prostração e ganhou as mesmas protuberâncias. As patas ficaram rígidas e esticadas. Com medo de que morresse onde não o pudesse retirar, Feliciano levou-o também ao matadouro. A doença toda durou dois ou três meses.
Dois animais tão diferentes como um burro e um cão, a morrer do mesmo processo, é difícil de atribuir a uma doença comum. Não havia ulcerações nas protuberâncias, nem febre, nada do que uma infecção deixaria. Um processo tumoral encaixa melhor nos factos, e um tumor pode ser provocado pela exposição a radiação. A mesma ideia é apoiada, curiosamente, pela recuperação do homem: a dor da artrose vai e vem, mas a de Feliciano agravou-se de repente logo após o encontro e depois recuou de vez, exactamente o padrão que se vê em doentes tratados com radiação para aliviar a dor.
Junte-se tudo e aponta numa só direcção. Naquela noite, num monte à saída de uma pequena aldeia espanhola, um lavrador e os seus dois animais ficaram dentro de uma luz estranha, e nunca mais foram bem os mesmos.